Ganhar massa muscular através do uso de anabolizantes não é uma
prática saudável, pois essa substância causa vários danos ao organismo.
Entre os 69 efeitos colaterais já documentados, estão doenças como,
problemas no fígado, redução da função sexual, derrame cerebral,
alterações de comportamento como agressividade e nervosismo,
aparecimento de acne e até mesmo câncer.
Na adolescência o uso dessas substâncias pode ser ainda mais
agressiva, causando parada prematura do crescimento, depressão, fadiga,
insônia, diminuição da libido, dores de cabeça e musculares.
Não se sabe até que ponto os problemas ocasionados pelo uso de
anabolizantes podem ser reversíveis. Cada organismo reage de uma forma
diferente e em muitos casos, o nível de comprometimento é tão grande que
não há cura, podendo levar a morte.
Com tantos riscos que os anabolizantes causam para a saúde humana, o uso dessas substâncias deve ser banidas do meio esportivo.


Na década
de 1980, o culto ao físico com a exigência de corpos musculosos combate
ao biótipo do chamado gordinho ou rechonchuda; a procura de corpos
esculturais, considerados os malhados e sarados, o padrão de beleza tipo
Stalone e muitos outros, valorizou mais a estética visual do que o
conteúdo.
Com isso aconteceu o chamado boom das academias de
ginásticas, o culto às super alimentações, muitas delas sem nenhuma base
científica. Jovens e atletas com intuito de melhorar seus resultados ou
sua estética passaram a utilizar várias substâncias com efeito
anabolizante na tentativa de melhores resultados em pequeno espaço de
tempo.
No início, o combate era apenas do ponto de vista esportivo,
visto que essas substâncias eram enquadradas como doping e, portanto,
proibidas pelas autoridades esportivas. Do ponto de vista estético, a
cada dia eram utilizados indiscriminadamente não só hormônios, como
também, supostas "dietas" e suplementos alimentares associados aos
exageros em atividades físicas, que, com o passar dos anos, mostraram
seus efeitos deletérios e suas conseqüências quase sempre drásticas.
Uso
& Conseqüências
Segundo
o especialista, a princípio, os anabolizantes eram usados para a
obtenção do estereótipo almejado, somente eram utilizados análogos de
testosterona associados a dietas hiperproteícas e exercícios com peso
repetidos que levavam a hipertrofia muscular
. Ultimamente, também são usados outras substâncias com intuito do anabolismo.
Os
análogos de testosterona, explica o endocrinologista, são os hormônios
masculinos, que através do uso contínuo provocam a retenção de líquidos e
íons, e ao longo do tempo apresentam os efeitos colaterais do tipo
virilização com o desenvolvimento dos caracteres sexuais masculinos em
seus usuários. São eles, o crescimento
de barba, acne, calvície, hipertrofia do clitóris, engrossamento da voz e certa agressividade.
Com
o intuito de aperfeiçoar seus produtos, "as indústrias laboratoriais
procuram a cada dia uma substância com maior efeito anabolizante e que
causem um menor efeito virilizante, ou seja, ação apenas no ganho
muscular".
O médico frisa que independentemente desses efeitos
virilizantes, o uso crônico de substâncias derivadas do hormônio
masculino, salvo em portadores de deficiência desse hormônio, levam de
alguma forma à impotência e infertilidade pela diminuição dos hormônios
hipofisários FSH e LH (que no homem estimulam o testículo à produção de
testosterona), com conseqüente atrofia testicular, muitas vezes
irreversível.
Além disso, pode provocar o câncer de próstata, de
fígado e ósseo; a rigidez muscular que normalmente provoca fraturas
espontâneas; as lesões articulares, musculares e de tendão, entre
outros.
Essas conseqüências passam a aparecer com maior freqüência,
visto que, o uso do hormônio masculino, para se obter os resultados
almejados deve ser utilizado em ciclos crônicos e contínuos, pois seus
efeitos são efêmeros e fulgazes. Por outro lado, o médico acrescenta
ainda que a interrupção no uso provoca a perda do volume muscular
adquirido.
Hormônio do Crescimento
Dr. Celso Melo dos Santos
acrescenta ainda que outras substâncias muito usadas hoje como
anabolizantes são os HGH (hormônio do crescimento), hormônio que é
produzido no ser humano pela hipófise que leva ao desenvolvimento da
estatura de uma pessoa saudável.
Não possuindo unanimidade consensual
em seu uso por pessoasque não apresentam deficiência do mesmo, o médico
alerta que eles podem levar
ao aumento
da
glicose, ocasionando a diabetes mellitus secundária, crescimento de
partes moles (mandíbula, pés, mãos, etc.), hipertensão arterial e
problemas cardíacos, muitas vezes irreversíveis devido ao aumento do
coração;
Outro produto muito usado pelos cultuadores do corpo,
segundo o médico é a insulina que é o hormônio produzido pelo pâncreas
que leva a glicose do sangue para o interior das células. Seu uso pode
levar a hipoglicemia durante exercício físico, com casos de acidentes
fatais. Além disso, pode acontecer ainda o desenvolvimento de anticorpos
que vão agir contra a insulina produzida pelo corpo, a insulina
endógena, podendo levar seu usuário a desenvolver diabetes futuramente
pela inatividade desse hormônio, como também, o aumento da
arteriosclerose.
Alerta: Você pode estar correndo riscos
Segundo o
especialista, a irresponsabilidade no uso de substâncias anabolizantes
chega ao absurdo de algumas pessoas buscarem medicações e substâncias de
uso veterinário sem o menor estudo em seres humanos.
Nas academias, o
uso de suplementos alimentares com abuso de derivados protéicos, como
por exemplo, a creatina, compostos vitamínicos, composto de aminoácidos,
etc. Podem provocar uma sobrecarga renal devido ao fato dos aminoácidos
serem excretados pelos rins. Estudos mostram que uma dieta saudável não
deve ultrapassar 1 grama por quilo de peso de proteína - um bife de 100
gramas não tem 100 gramas de proteína, explica.
Outras práticas
inadequadas são as dietas com baixo uso de carboidratos, dietas
hiperproteícas e hipocalóricas com restrições menores de 1000 calorias
diárias, substâncias termogênicas que supostamente aumentariam o
metabolismo basal com aumento do gasto calórico e todo tipo de
miscelânea e absurdos, sem nenhum embasamento científico, que pode levar
a doenças graves como, por exemplo, a anemia, hipovitaminose (falta de
vitaminas), desnutrição protéica calórica e suas conseqüências.
Para o
médico, o que mais preocupa é o fato de o público alvo desses
tratamentos - se é que podem ser assim denominados - são jovens e
adolescentes com futuro pela frente e que pela pouca falta de vivência
ou por se acharem imortais – um fenômeno típico da idade, não se
importam com os riscos desde que seja atingido o resultado estético
procurado.