AFP/Arquivos
Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, em 24 de dezembro de 2013 na catedral de São Sebastião, no Rio de Janeiro
O
papa Francisco anunciou neste domingo a criação dos dezesseis primeiros
cardeais eleitores - com menos de 80 anos - de seu pontificado, entre
eles o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta.
Além do
brasileiro, Francisco nomeou outros quatro novos eleitores
latino-americanos, de Argentina, Chile, Haiti e Nicarágua, quatro
italianos, dois europeus (um alemão e um britânico), um canadense, dois
africanos (Costa do Marfim e Burkina Faso) e dois asiáticos (Coreia do
Sul e Filipinas).
Francisco também nomeou outros três cardeais
eméritos, sem poder de voto em caso de conclave para eleger um novo
pontífice, de Itália, Espanha e Santa Lúcia.
O anúncio foi feito
ao término do Ângelus dominical a partir da janela do Palácio Apostólico
diante dos milhares de peregrinos presentes na Praça de São Pedro.
Os
19 novos cardeais receberão o capelo e o anel cardinalício no dia 22 de
fevereiro no Vaticano, no primeiro consistório do pontificado de
Francisco.
Dos 16 com direito a voto no conclave, doze são
arcebispos a cargo de cidades grandes e apenas quatro trabalham na Cúria
romana, a administração central.
O Papa argentino, que defende
uma igreja pobre para os pobres, designou personalidades provenientes de
comunidades esquecidas e periféricas, como ele mesmo define, entre eles
os arcebispos de Haiti, Costa do Marfim e Burkina Faso.
Os novos
cardeais latino-americanos são o nicaraguense Leopoldo José Brenes
Solórzano, arcebispo de Manágua, o argentino Mario Aurelio Poli,
arcebispo de Buenos Aires e seu sucessor na liderança da igreja de seu
país, o chileno Ricardo Ezzati Andrello, arcebispo de Santiago do Chile,
e o haitiano Chibly Langlois, bispo de Les Cayes, além do arcebispo
brasileiro.
Já entre os três cardeais eméritos nomeados, que não
poderão votar no conclave por terem mais de 80 anos, figura o espanhol
Fernando Sebastián Aguilar, emérito de Pamplona e uma das figuras mais
progressistas da igreja espanhola, exemplo de religioso que não entra
nos jogos de poder existentes na Igreja.
Junto a ele receberá o
título de cardeal o italiano que foi o secretário pessoal de João XXIII,
Loris Capovila, e Kelvin Edward Felix, arcebispo emérito de Castries,
Santa Lúcia.
Além dos latino-americanos já citados, entre os novos
eleitos com direito a voto figuram o italiano Pietro Parolin, ex-núncio
na Venezuela e atual secretário de Estado, ou seja, número dois, o
guardião do dogma, o conservador alemão Gerhard Ludwig Müller, prefeito
da congregação para a Doutrina da Fé, e o italiano Lorenzo Baldisseri,
secretário geral do Sínodo de Bispos, homem de confiança de Francisco,
que prepara as grandes assembleias de bispos que serão realizadas em
2014 e 2015, e que deverão mudar a cara da instituição.
Outro italiano, Beniamino Stella, prefeito da Congregação para o Clero, também receberá o barrete cardinalício.
Com
as novas criações, o número de membros do Colégio Cardinalício se eleva
a 218, dos quais 122 são eleitores em caso de um conclave para eleger
um novo Papa.