quarta-feira, 9 de julho de 2014

Mulher mora em cabana improvisada no meio do mato no bairro de Santos Reis

Foto: José Aldenir
Foto: José Aldenir
Alessandra Bernardo
alessabsl@gmail.com
Moradora de rua há 13 anos, Lúcia Helena dos Santos passa seus dias em uma cabana montada com papelão e sacos plásticos no meio do matagal de um terreno baldio no bairro de Santos Reis, na zona Leste de Natal. Franzina e sorridente, a mulher de 53 anos contou que decidiu sair de casa por conta de conflitos com os familiares e que, apesar de vê-los uma vez ao ano, não pensa em voltar. Ela revelou ainda que seu maior sonho é ter uma casa própria e poder ter uma velhice segura e tranquila, longe das ruas.
“Todo mundo tem sonhos e eu queria um lugar para morar e uma vida normal, confortável. Morei muitos anos com a minha família, mas depois eu fiquei desempregada e não deu mais certo, começaram as brigas e discussões e eu achei melhor sair de casa, para evitar estresses. Depois disso, fui para as ruas, onde já passei por muitas coisas. Ainda hoje, vejo meus irmãos, mas quando estou na rua, eles não falam comigo”, explicou.
Lúcia Helena disse que a decisão de morar na rua não foi fácil, principalmente porque precisa de ajuda para se alimentar, já que até hoje não conseguiu uma colocação profissional. Quando não, sai pelas ruas dos bairros próximos pedindo doações aos conhecidos ou mesmo catando restos de alimentos em estabelecimentos comerciais.
Ela também falou que, durante o dia, ela fica na cabana que montou com papelão e plásticos em um terreno baldio, pertencente à União, próximo à praia do Forte e à Ponte Newton Navarro. E, durante a noite, ela dorme embaixo de marquises e na frente de lojas nas ruas da Ribeira ou Cidade Alta. Já chegou a frequentar o alberque municipal algumas vezes, mas contou que, por ter perdido seus documentos de identidade, não foi mais aceita no local.
“Fico aqui durante o dia, mas prefiro dormir em outro local, por segurança. Já vieram aqui várias vezes derrubar o meu barraco, por maldade mesmo, por isso, acho mais seguro. E como aqui é um terreno com muito mato, tem muita muriçocas e pernilongos e por ser perto da praia, o vento é forte e frio. Não tenho para onde ir, então, tenho que me arrumar como posso”, desabafou.

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