domingo, 18 de maio de 2014

Após chuvas, reservatórios ainda estão em colapso



O mês de maio se aproxima do fim e com ele vai embora as esperanças do sertanejo potiguar. O inverno deste ano no semiárido nordestino, apesar de classificado como normal pela meteorologia, não foi capaz de encher os reservatórios d’água no interior do Rio Grande do Norte a índices satisfatórios. A chuva mudou a paisagem em alguns  municípios, melhorou o nível de alguns mananciais, mas  o cenário ainda preocupa.
Sidney SilvaApesar das chuvas do início do ano, o açude Itans, em Caicó, está com apenas 16,29% da capacidadeApesar das chuvas do início do ano, o açude Itans, em Caicó, está com apenas 16,29% da capacidade

Mesmo com as precipitações registradas ao longo dos últimos meses, mais da metade dos açudes monitorados pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) está com o nível abaixo dos 20% da capacidade total. Índice considerado crítico pelos especialistas. Além disso, nove cidades convivem com colapso no abastecimento e outros 159 municípios estão em estado de emergência devido à situação climática desfavorável.

O Estado possui ao todo 46 reservatórios monitorados periodicamente pela Semarh. Os  açudes e barragens estão localizado nas bacias dos rios Apodi/Mossoró, Piranhas/Açu, Ceará-Mirim, Potengi, Trairi e Jacú. De acordo com levantamento divulgado pela secretaria na última sexta-feira, dia 16, pelo menos 24 mananciais estavam com a situação volumétrica em estado crítico, ou seja, com menos de 20% da capacidade total. Os dados são o extrato de monitoramentos efetuados a partir de abril.

De acordo com a coordenadora de Gestão de Recursos Hídricos da Semarh, Joana D’arc Medeiros, o Estado está em alerta. Ela reconhece que as chuvas ajudaram a recuperar alguns açudes, mas reservatórios importantes como o Gargalheiras, Itans e o açude de Pau dos Ferros quase não acumularam água no último quadrimestre. “Houve uma recuperação parcial, abaixo da nossa expectativa. Sabíamos que os açudes não iriam encher, mas o prognóstico era mais animador. Infelizmente, mananciais importantes não receberam volume de água considerável e a situação continua preocupante”, coloca.

Em Acari, distante 201 quilômetros de Natal, o açude Gargalheiras – que tem capacidade para armazenar 44.421.480 metros cúbicos de água – está com o volume de 4.351.712  metros cúbicos, o que representa 9,80% de sua capacidade total. Com vazão de 150 liros por segundo, a estimativa da Semarh é a de que o açude suporte mais quatro meses de abastecimento para os municípios de Acari e Currais Novos.

O Açude Itans, localizado em Caicó, a 256 quilômetros da capital, é outro reservatório em situação alarmante. Dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn) revelam que, entre os dias primeiro de janeiro e 16 de maio deste ano, choveu 456,6 milímetros no local. Com capacidade para acumular até 81.750.000 metros cúbicos de água, o açude está com 16,29% da capacidade, ou seja, 13.320.000 metros cúbicos. Água que, segundo a Emparn, suporta abastecer as cidades atendidas pelo açude até janeiro do próximo ano. A vazão de retirada é de 185 litros por segundo.

Já em Pau dos Ferros, a 400 quilômetros de Natal, o principal açude da cidade, que leva o mesmo nome do município, está com 11,16% de sua capacidade total. O reservatório pode receber até 54.846.000 metros cúbicos de águas, mas, atualmente, reserva apenas 6.120.746 metros cúbicos. A vazão de retirada é de 45 litros por segundo e, se continuar com essas configurações, suporta abastecer a cidade até março do próximo ano.

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