Os médicos da rede municipal de Natal retomaram ontem (16) a paralisação
da categoria, suspensa durante a Copa do Mundo, em atendimento a uma
liminar pedida pela Prefeitura de Natal. Apesar da greve, no primeiro
momento, não ter afetado o atendimento em todas as unidades da cidade,
parte dos pacientes foram prejudicados pela falta de profissionais. A
Secretaria Municipal de Saúde (SMS) ainda não tem um balanço sobre o
primeiro dia de paralisação. Hoje, os demais servidores da Saúde
participam de assembleia marcada para as 14h, em que decidem se também
retomam movimento grevista.
Frankie Marcone
Paralisação atinge 50% dos médicos da UMS Cidade Satélite
Os
médicos pedem incorporação da gratificação ao salário-base no valor
fixo de R$ 3 mil para o que trabalha 40 horas, e a metade para o de 20
horas de serviço. Hoje o valor é variado, de acordo com o local que o
profissional trabalha. O salário-base do município para os médicos é de
R$ 1.500 mil para 20h e R$ 3 mil para 40h. Além disso, pedem a criação
de uma comissão de médicos que faça um plano para implantação do piso
salarial da Federação Nacional dos Médicos (Fenam) até 2018, além de
melhores condições de trabalho, abastecimento e recuperação da estrutura
das unidades.
De acordo com a secretaria adjunta da SMS,
Miranice Crives, na noite de ontem ainda não havia um levantamento final
sobre a adesão, porém ela seria pequena. “Ainda não recebemos relatório
de todos os distritos, mas pelo que temos até agora é pouca a adesão. É
pontual. A maior parte na Policlínica”, relatou. A SMS destacou que o
município está em negociação desde antes da suspensão na Copa e que, o
prejuízo à população não vai ser tão grande. Metade dos médicos que
trabalham no município são de cooperativas, não servidores.
Durante
o dia de ontem, reportagem visitou oito unidades de saúde, nas zonas
Sul e Oeste de Natal, para acompanhar o atendimento. Em Cidade Satélite
metade dos médicos do pronto-socorro da Unidade Mista de Saúde estão em
greve. Nas outras unidades, médicos contratados via cooperativas e que
atuam em programas como o Mais Médicos e o Programa de Valorização dos
Profissionais da Atenção Básica (Provab) trabalharam. Alguns servidores
optaram por continuar o trabalho.
A coordenadora médica da UMS,
Lindecy Leandro, explica que dos vinte médicos, entre oito e nove
clínicos gerais estão em greve. Sem suspender nenhum serviço do
pronto-socorro, o atendimento ficou mais lento. Apesar da paralisação de
cerca de 50%, a movimentação era tranquila. Na parte ambulatorial da
unidade mista um aviso informa que a partir de ontem não seriam mais
distribuídas fichas de atendimento médico devido à greve.